quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

O coxinha-reaça e suas falácias ou de como criar um ambiente caótico e ainda ganhar dinheiro com isso



     O direitista extremo, o ultraconservador é daltônico. Só consegue enxergar em preto e branco. Faz declarações morais, como se fosse dono de um edifício ético, sem um mínimo de ponderação. Embora ele elabore máximas sobre comportamento relativo à ética na política, mente, manipula informações e cria argumentos caricatos, como por exemplo, em referência a uma iminente invasão do exército da União das Repúblicas Federativas Soviéticas no Brasil – ainda existe? – Para o reaça, os meios justificam os fins, ou mais especificamente desqualificar o pensamento progressista, que para este sacerdote da ética, corroem a moral e os bons costumes.

     Um ponderado esquerdista pode e deve se revoltar com o triste episódio da Ditadura Militar no Brasil na década de 1960. Aliás muitos intelectuais, estudiosos, políticos ponderados de centro e de direita se revoltaram, pois o regime de exceção calava toda a sociedade. Há incontáveis livros, artigos, resenhas e teses que explanam e analisam aquele triste cenário da alcunhada “Revolução de 1964”. Para minimizar os efeitos da verdade histórica, o coxinha faz um paralelo com a Cuba atual. O regime daquele país tem respaldo popular, ainda que haja a necessidade de eleições também na ilha. Mas no caricato argumento do fascista, não se pode ter aspectos positivos em governos de cunho socialista como o de Cuba, ele convenientemente não enxerga na resistência dos cubanos aos Estados Unidos da América, a altivez e a autoestima que tanto nos faz falta como povo. 

     Um ultradireitista relativiza com um sinal de aspas o termo “trabalho escravo” nas fazendas brasileiras, cotejando à maneira esquizofrênica este absurdo, herança do coronelismo brasileiro de estampa nova, com a situação dos médicos do programa federal “Mais Médicos”. Singular a novela protagonizada pela médica cubana, servindo-se do coronel Caiado (este travestido de cupido) para fugir para Miami encontrar com seu amado. Comédia romântica, ora! Com o vazio discurso da desconstrução, o reaça tenta sabotar um programa que leva médicos para atender a população carente nos rincões do Brasil, com o simples objetivo do quanto pior para a população, melhor para a oposição. Sinal que estes extremistas estão ao lado das políticas de Estado?! 

     E como não enxergar o preconceito do reaça a um ex-presidente de hábitos tão próximos ao brasileiro médio, embora seu governo tenha promovido a ascensão social de milhões de pessoas oriundas das classes “D” e “E”?! O reaça enxerga a cachaça como coisa de pobre e refere-se ao metalúrgico de forma pejorativa ao comentar seu gosto pessoal. Ademais, o sacerdote dos bons costumes ainda faz repercutir um boato, com tom moralista, relativo a supostas relações íntimas dele?! Talvez lhe preocupe as roupas de baixo do ex-presidente, vá saber?!

     A despeito de qualquer lógica referente ao respeito que deve-se ter a soberania de qualquer nação, a autonomia de seu povo e da própria opinião pública em escolher o regime político que lhe aprouverem, o fascista repaginado louva o embargo norte-americano à Cuba. Alardeia o fracasso socialista, embora tal teoria tenha sido desenvolvida para demonstrar os males que o liberalismo econômico imputa às nações mais pobres. O capitalismo é voraz, não é humanista. Contudo, o reaça, filhinho de papai e mamãe, cevadinho que é, ignora oportunamente que os EUA tem própria proteção social e programas para redistribuição de renda para minimizar as acentuadas diferenças sociais do seu país. 

     Um crítico de centro, de direita ou de esquerda, que tenha compromisso com o ser humano e que seja ponderado e tenha apreço ao bom senso, não pode, ele DEVE execrar uma jornalista que incite a violência. Todavia o reaça faz um paralelo tosco com os movimentos sociais, que são passíveis de críticas quando se excedem. Naturalmente eles devem respeitar os limites legais também, mas a partir disso, o coxinha qualificar todos os movimentos sociais como criminosos, é exercer a liberdade de opinião com a isenção necessária? Não há legitimidade nas pautas defendidas pelos movimentos sociais?! Agora, para o coxinha-reaça, jornalista incitar a violência em rede de televisão de canal aberto, fomentando a irracionalidade e o ódio, aí sim pode!

     Um sujeito de esquerda ponderado procura entender as razões que levaram uma pessoa a delinquir, sobretudo se as condições explicam isso. O que não justifica a sua transgressão, logo a pessoa deve responder pelo que fez. O reaça ao asseverar que com isso o esquerdista desrespeita a pessoa humilde que está dentro da lei, está sendo desonesto em seu argumento. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é, definitivamente, outra coisa.

     O cidadão de esquerda pode sim repudiar o comportamento do “rei do camarote”, um sujeito que não se peja em se comportar como nababo de fato, apresentado em reportagem divulgada pela ilibada revista Veja, semanário predileto do coxinha. E por que não aplaudir um homem de origem humilde e sem formação acadêmica que ganhou diversas comendas de doutor honoris causa pelo mundo e recebe pelas palestras aquilo que lhe acham justo pagar, ou artistas que acumulam riqueza com o seu trabalho?! Se lícita a forma com que estes personagens ganham dinheiro, o que fundamenta a tal queixa enviesada do reaça que o esquerdista moderado não poderia aplaudi-los?! Por que são alinhados com a esquerda?!

     E a propósito de outra pérola tecida pelo argumento coxinha, cujo fundamento tem como premissa a ironia em afirmar que qualquer artista, independentemente de ter formação acadêmica, se for de esquerda, já tem o preparo para opinar, sem constrangimento, sobre qualquer assunto?! Isto é um consenso?! Ou, em verdade, o coxinha está a se fazer de coitado, vitimando-se?! Tadinho... Não existem artistas de direita engajados ou eles simplesmente não tem consistência em suas críticas e não gostam de posar de canastrões para a opinião pública?! Estes artistas deveriam ter assessoria do coxinha, que não se importa em ser verdadeiro ou não, o negócio é fazer colar as balelas...

     Em mais recente crítica ao discurso encampado contra o racismo, como insinua o reaça à maneira caricata, que chama à atenção ao jovem negro preso ao poste pelo pescoço, pois a sua cor é reiteradamente repetida pelos militantes de esquerda de maneira até patológica. E por que não poderia o esquerdista chamar à atenção a algo amplamente comprovado com estatísticas em diversas pesquisas senão a violência contra a maioria da população de pele negra, parda e mulata?! Na abalizada opinião do coxinha não seria patológico o racismo no Brasil?! E depois, em mais uma pirueta argumentativa, anexar às falácias suas, a expressão genérica “acusar a todos que condenam as cotas raciais de “racistas” e logo depois descascar Joaquim Barbosa”, numa cínica insinuação?! 

     Um esquerdista ponderado, assim como outros militantes de outros vieses políticos, podem ter opiniões apaixonadas e se excederem-se ocasionalmente. Todos eles responderão se ultrapassarem o limite do respeito. A opinião contrária de um conservador ponderado cotejada à de um progressista equilibram as forças políticas na sociedade. Contudo ao reaça interessa tão somente a exacerbação dos ânimos, ele não quer o consenso. Ele almeja o caos, esse é o seu intento!

     O esquerdista de bom senso deve se indignar pelos excessos da polícia e os dos movimentos sociais aos quais pertencer ou não. Os extremismos só fazem desacreditar a pauta das reivindicações, ele sabe disso. Mas o coxinha-reaça quer atrelar a quaisquer legítimos protestos e queixas dos movimentos aos atos de vândalos mascarados que têm o intuito de bagunçar para que a opinião pública coloque-se contra as demandas sociais. 

     Um esquerdista moderado não precisa concordar, e nem cola imputar-lhe “um esquerdista pode”, pois ele reflete a respeito daquilo que reivindica e quaisquer atitudes que julgue exageradas, erradas ou injustificadas pode discordar. E discorda. Tentar sobrepor a ideia que os blac block’s (espécie de Hidra, monstro da mitologia grega com várias cabeças), manifestantes mascarados que mais incitam a baderna e menosprezam o respeito aos bens públicos, com os camisas negras de Mussolini que badernavam em favor deste, demonstra de forma cabal o pensamento do cevadinho reaça. Atos assim são típicos da extrema-direita, como na ocasião do atentado no Riocentro, dia primeiro de maio de 1981, quando agentes da ditadura tentavam sabotar um evento em alusão ao dia do Trabalhador. A alusão aos camisas negras, na verdade trata-se de ato falho, atribuído à vontade, ao desejo, ao impulso libidinal do coxinha-reaça de torcer pela bagunça e ver-se em sonhos, no retrato em preto-e-branco, ao lado do ícone fascista. 

     Assim, com as maiores vitrines e microfones abertos para si, o coxinha-reaça potencializa seu discurso catastrófico, apocalíptico, do fim dos tempos mesmo. Como o oligopólio da mídia, com seus Rupert Murdoch’s versão canarinho, gostam é de grana e não se importam em vender factoides construídos por coxinhas. Empresários da mídia repercutem bobagens do coxinha-reaça de bochechas rosadas pois polêmica, seja verdadeira ou não, vende. 

     O coxinha-reaça de bochechas rosadas, enfim, oferece em todas as fotos aquele sorriso velhaco, de quem tem certeza que enrolar o povão com falácias é fácil, basta demonizar qualquer pauta da esquerda. E se discordarem dele, vitima-se, pois ainda assim pode fomentar o ódio aos comunas que querem amordaçá-lo negando-lhe o monopólio da verdade mais cristalina. Enfim, acho que não entenderam... O coxinha-reaça é Deus!


Nenhum comentário:

Postar um comentário