quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Certamente seria mais simples discorrer sobre física quântica em grego...

A inextrincável alma feminina
  
      Sempre me pego na inglória e infrutífera tarefa de tentar entender as mulheres. Sim incauto leitor de rascunhador barato, sou um sonhador e vivo com essa ideia encardida em minha alma, sobretudo depois de um pé na bunda, que, acredite-se ou não, é fato raro nesta minha ventura. Não que eu seja lá sujeitão de encher os olhos do mulheril, contudo tenho lá meu charme sonso, com minha cara de cachorro caído de mudança. Oxalá essas linhas à moda sertaneja cheguem a um determinado coração feminino, mudarei o personagem e o rumo da prosa, mas não é bem o caso.
      Tenho uma amiga, todavia faz-se necessário um esclarecimento ao empertigado machão: o fato de ter amiga não naturalmente me classifica como frosô. Diferentemente, facilita-me conhecer outras fêmeas. Pois é, falando da dita, cujo apelido melindroso, não se sabe por quem colocado, é Amarela. Galega bonita e fornida, embora elétrica e mandona, a sujeita sujeitava marmanjo besta às suas vontades. Pelo menos aqueles daquela época. Tais rapazolas, todos meia-boca, foram alcunhados sempre com nomes de bichos nobres da natureza: grilo, perereca, boi manso... 
                                                     

      Veja bem, tal exposição não tem a maestria
- tenho como característica mais forte a modéstia - de um Machado  como no texto, “A queda que as mulheres tem pelos tolos”, o negócio aqui é só o escracho. O Grilo, namoradinho de nossa amiga, sempre aparecia lá pelas bandas da faculdade com uma CGzinha 125 que parecia não ser pilotada por ninguém. O cabra era tão magro que tinha de usar cinto de segurança na moto para não pegar voo. De frente, ele parecia estar de lado e de lado, desaparecia. Certa vez, intrigado com o porte avantajado do garoto, quase lhe perguntei se já tinha furado o cotovelo, pois as pontas dos ossos destacavam aquela magreza. O problema é que ele não me responderia. Não que ele fosse mudo, ou por qualquer problema congênito, o camarada era na verdade cheio das vergonhas. Não falava nada, a Galega, que falava por ele e por mais três, dizia que ele era tímido. Talvez até fosse mesmo, mas por ele ninguém daqueles tempos soube de nada. Calado chegava na faculdade, a Galega montava na garupa da moto fantasma, e eles se iam pros rincões da Santa Maria.
     Os outros bichos, ou melhor sujeitos, ao menos portavam-se com um pouco mais de altivez, ainda que as alcunhas lhe caíssem tão bem. Hoje, como diz um amigo meu, a Amarela está com procuração e logo estará com documento definitivo. Claro, o título remete à Inextrincável alma feminina e neste recorte aludo apenas ao ínclito Grilo, que conseguiu por um breve momento à atenção da Galega. Na verdade, talvez seja tão somente dor de cotovelo... minha, é claro!

terça-feira, 26 de julho de 2011

Instigado por uma reflexão, talvez trivial e inocente, de encontrar um pouco de bom senso por aí...

   Pelo olhar àquilo que interessa

   Tenho algum receio de parecer tiete de doidona convicta, embora não seja um crítico cultural ou moral, hoje importa mais aos meios de comunicação os escândalos. "Descobri o ovo de Colombo?!", mas é claro que não. A morte de Amy Winehouse é mais interessante por suas estripulias com drogas de diversos naypes, pois a vida artística da artista pouco importou. Claro que os moralistas destacarão que a cantora se entregou e que o fez por faltar uma família bem constituída, por faltar amor, por faltar religião entre outras coisas do gênero. Ademais a cantora não foi um bom exemplo pra juventude... Ora vão se catar!
    Não entro nessa seara. Não sou do ramo da autoajuda, portanto não dou conselhos de tal natureza, porque enfim isso é particular e inserido no íntimo de cada um e na família que deu "sorte" de nascer. E ainda, mesmo entendento o que os moralistas de plantão diriam que a artista era um ente público e passava uma imagem negativa, insisto que a formação de cada pessoa pertence à própria família, e se a educação de casa for boa tais "exemplos" seriam desnecessários. Vários programas vespertinos da televisão brasileira perderiam a sua função como produtos de assepsia moral.


   Outros artistas também de destaque morreram jovens há anos, como Jimi Hendriz, Janis Joplin, Jim Morrisson, Renato Russo, Raul Seixas, Curt Cobain, entre outros. Contudo à época não vivíamos um reality show mundial, ao passo que, mesmo com os exageros dos artistas - que são seres exagerados por natureza - o que sobressaia era o trabalho de cada um.
    Hoje o que se destaca é o escândalo. Tio meu confessou-me que só ouviu músicas da cantora inglesa depois de sua morte, porque antes pouco destaque se dava ao trabalho artístico dela. Entretanto não quero aqui, e me desautorizo antes de qualquer bronca alheia, a dizer que a ética e a moral deixaram de ser importantes e tampouco a discussão disso pode ser deixado de lado, pois há hora e local para cada coisa. Mas tenho uma nesga de esperança no bom senso das pessoas, ainda que seja difícil mantê-la em tempos tão confusos e de gente que gosta de crer no fim dos tempos. Enfim, é o fim da picada!