Sempre me pego na inglória e infrutífera tarefa de tentar entender as mulheres. Sim incauto leitor de rascunhador barato, sou um sonhador e vivo com essa ideia encardida em minha alma, sobretudo depois de um pé na bunda, que, acredite-se ou não, é fato raro nesta minha ventura. Não que eu seja lá sujeitão de encher os olhos do mulheril, contudo tenho lá meu charme sonso, com minha cara de cachorro caído de mudança. Oxalá essas linhas à moda sertaneja cheguem a um determinado coração feminino, mudarei o personagem e o rumo da prosa, mas não é bem o caso.
Tenho uma amiga, todavia faz-se necessário um esclarecimento ao empertigado machão: o fato de ter amiga não naturalmente me classifica como frosô. Diferentemente, facilita-me conhecer outras fêmeas. Pois é, falando da dita, cujo apelido melindroso, não se sabe por quem colocado, é Amarela. Galega bonita e fornida, embora elétrica e mandona, a sujeita sujeitava marmanjo besta às suas vontades. Pelo menos aqueles daquela época. Tais rapazolas, todos meia-boca, foram alcunhados sempre com nomes de bichos nobres da natureza: grilo, perereca, boi manso...
Tenho uma amiga, todavia faz-se necessário um esclarecimento ao empertigado machão: o fato de ter amiga não naturalmente me classifica como frosô. Diferentemente, facilita-me conhecer outras fêmeas. Pois é, falando da dita, cujo apelido melindroso, não se sabe por quem colocado, é Amarela. Galega bonita e fornida, embora elétrica e mandona, a sujeita sujeitava marmanjo besta às suas vontades. Pelo menos aqueles daquela época. Tais rapazolas, todos meia-boca, foram alcunhados sempre com nomes de bichos nobres da natureza: grilo, perereca, boi manso...
Veja bem, tal exposição não tem a maestria - tenho como característica mais forte a modéstia - de um Machado como no texto, “A queda que as mulheres tem pelos tolos”, o negócio aqui é só o escracho. O Grilo, namoradinho de nossa amiga, sempre aparecia lá pelas bandas da faculdade com uma CGzinha 125 que parecia não ser pilotada por ninguém. O cabra era tão magro que tinha de usar cinto de segurança na moto para não pegar voo. De frente, ele parecia estar de lado e de lado, desaparecia. Certa vez, intrigado com o porte avantajado do garoto, quase lhe perguntei se já tinha furado o cotovelo, pois as pontas dos ossos destacavam aquela magreza. O problema é que ele não me responderia. Não que ele fosse mudo, ou por qualquer problema congênito, o camarada era na verdade cheio das vergonhas. Não falava nada, a Galega, que falava por ele e por mais três, dizia que ele era tímido. Talvez até fosse mesmo, mas por ele ninguém daqueles tempos soube de nada. Calado chegava na faculdade, a Galega montava na garupa da moto fantasma, e eles se iam pros rincões da Santa Maria.
Os outros bichos, ou melhor sujeitos, ao menos portavam-se com um pouco mais de altivez, ainda que as alcunhas lhe caíssem tão bem. Hoje, como diz um amigo meu, a Amarela está com procuração e logo estará com documento definitivo. Claro, o título remete à Inextrincável alma feminina e neste recorte aludo apenas ao ínclito Grilo, que conseguiu por um breve momento à atenção da Galega. Na verdade, talvez seja tão somente dor de cotovelo... minha, é claro!
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