Cabe a cada um tentar entender o que ocorre no Brasil, à sua maneira, nos últimos tempos. Contudo é temeroso o que fazem determinados agentes, ou melhor, editoriais e jornais televisivos, que mais confundem do que ajudam a elucidar o que acontece. A explosão coletiva de ressentimentos quanto à ineficiência do Estado como um todo (país, estados e municípios), muito parecida a um estouro de boiada, fez com que alguns entes na sociedade repensassem seus discursos políticos.
A aparente mudança, por exemplo, de rumo da Rede Globo, e seus asseclas de sempre, sempre preocupados com a grana investida e sem nenhum escrúpulo ou coerência em suas posições ideológicas, não surpreende. O que importa é a manutenção do status quo e a sua posição de capitão do mato contra àqueles que querem de verdade uma sociedade mais justa. O que o Jabor declarou antes em um jornal televisivo, que achava que aqueles jovens que protestavam em São Paulo contra o aumento das passagens de ônibus eram a caricatura violenta da caricatura de um socialismo da década de cinquenta, espelha o que eles são e o posterior pedido de desculpas é a hipocrisia estampada deles.
Grande parte do que ocorre, para o bem e para o mal, é a rápida transmissão de informações, verdadeiras e/ou erradas e/ou manipuladas ao interesse do capital e poder. Conversa de marxista cansado? Não! Enquanto houver diferenças sociais tão acentuadas, não se pode aceitar a receita do establishment. A não ser que, tal qual o personagem da obra de Machado de Assis o puxa-sacos José Dias, a mais antiga parcela da população da classe média prefira continuar a lamber as botas dos marinhos e dos civitas da vida e lamentar essa imensa quantidade de ignorantes que ascendeu socialmente. Agora os "Josés Dias" tem de conviver com essa gente iletrada e agora, pasmem, comprando carros zero e ainda entulhando os aeroportos. Um absurdo!
Há também nossa grande culpa: não prestamos atenção àqueles que elegemos para o congresso e para as câmaras estaduais e municipais. Concordo com a observação pessimista de um amigo que diz que os vereadores, deputados e senadores eleitos refletem a nós mesmos. Nossos interesses, menores do que os da sociedade como um todo, são colocados em primeiro plano. Tudo bem, se não há prejuízo aos outros, mas não é o que acontece. Quando visualizamos uma oportunidade acontece uma cegueira moral e racionalizamos, a nosso favor é claro, quaisquer vantagens que teremos em detrimento da maioria. E não se espante, isso é comum e acontece a qualquer pessoa. Enquanto não amadurecermos moralmente a nossa política a partir de nós mesmos, não votaremos melhor coisíssima nenhuma! Reitero: é nossa culpa também estarmos onde estamos politicamente.