sábado, 18 de agosto de 2012

O excesso de informações como uma das causas da desinteligência vigente ...

Refletindo a contemporânea paranóia


        Incomoda-me pensar que somos ratos presos a um sistema cada dia mais controlado (embora paradoxalmente aberto), devido especificamente às evoluções tecnológicas que facilitam o trânsito e a repercussão das informações. Isso não deveria ser ruim, porém não é o caso, sobretudo em um país que não tem desenvolvida e cultivada a cultura da discussão democrática. Quem tem jornalão e grana, mesmo fazendo pose de bonzinho, quer é mais grana. Logo, as informações viajam na velocidade da luz, assim como a injeção de grana dos donos dos jornalões e da mídia que não prezam  o esclarescimento do fato em si, e sim que versão do fato os tornarão mais ricos e poderosos ainda.
          Ainda que me digam que os cursos superiores de jornalismo orientam-se pelo fato, matéria prima que deve ser explorada não pelos seus fins econômicos e sim pela elucidação adequada das notícias e os comentários equilibrados em relação aos diversos temas (polêmicos ou nem tanto), o capital quase sempre vence o bom senso, deturpando a informação a seu favor.
  



           E de maneira "global", quem nos pauta não se interessa pelo análise crítica e ponderada de nossa "época", contudo grita aos quatro cantos e quer que a gente "veja" tão somente aquilo que os interessa. Ou por fim, faz com que na marra aturemos as mesmas "caras" em detrimento da exploração de celebridades e sub-celebridades, com ou sem anuência destas pitorescas criaturas de plástico...
            A despeito dos trocadilhos infames que fiz, o espaço cedido à imprensa pertence à uma minoria poderosa que faz o que bem entende, espalhando aos quatro ventos que pensa o melhor para a nação, mas a perspectiva é sempre a mesma: apenas a deles. No fundo, no fundo... ou melhor, não é preciso ir tão fundo assim, o negócio deles mesmo é dinheiro!
       

sábado, 17 de março de 2012

Há uns anos escrevi este texto como protesto ao paternalismo do colégio em que trabalho. Não posso negar que muita coisa mudou para melhor, mas o paternalismo...

A difícil percepção dos limites

      As mudanças ininterruptas, e até abruptas, proporcionadas pela “pós-modernidade” ou “globalização” ou “modernidade tardia” ou quaisquer expressões cunhadas (tantas que são) com o objetivo de tentar conceituar o que vivemos, talvez conotem as dificuldades que temos nas relações interpessoais. A referência é genérica no que tange as relações como um todo, contudo tem uma origem específica no que se entendia como família antigamente e o que se entende por família nos dias de hoje. A noção mais remota nos dava a ideia de indivíduos unidos pela mesma origem biológica e, sobretudo havia um caráter sacralizado pelos valores culturais herdados, isto é, as pessoas respeitavam, de forma inequívoca, mãe e pai, avós, tios, etc. Acontece que, hoje em dia a noção mostrada por pesquisas de diversas áreas das ciências humanas apresenta a ‘família’ como “aquelas pessoas com que a gente pode contar”. E infelizmente nem a família e nem a escola se prepararam para essa mudança que atingiu-nos em cheio, e com muito mais força os jovens e as crianças. 
       A referência a nova percepção de família, embora traga consigo algo que pareça a concepção anterior, pelo menos no que concerne às relações entre esses entes ou “parentes”, apenas reflete a “areia movediça” que se transformou o que antes era uma base firme, ou como muitos gostam de dizer “a célula mater da sociedade”. Entretanto a antiga família anda se eximindo da responsabilidade de acompanhar seus filhos, e de maneira deliberada ou inconscientemente, no que é menos doloroso crer.
       A sociedade “moderna” exige que não apenas o pai, como também a mãe sejam provedores das famílias. Para tanto, ambos se sujeitam a quarenta horas semanais ou mais em seus trabalhos, o que inviabiliza a relação entre pais, mães e filhos(as). Os filhos, de famílias um pouco mais afortunadas, sentam-se por horas diante de tv’s ou computadores e logo começam a se transformar em pessoas que seus pais desconhecem.  Os quartos desses jovens lembram solitárias, em que eles se enclausuram a procura de algo que nem mesmo eles sabem bem o quê, e isso quando eles não buscam uma fuga literal da realidade... aos menos afortunados, menos sorte ainda.
        A escola recebe essas crianças e jovens em condições mais ou menos semelhantes e por conta de uma inabilidade institucional, sobretudo em não entender as suas atribuições em relação aos estudantes, acaba por ultrapassar um limite perigoso e tênue. O limite, difícil de estabelecer é: qual o papel da família e qual é o papel da escola na educação das crianças e dos jovens? Em um dos artigos antigos de pedagogia, creio que seja do Dewey, ele cita os pilares da educação que são para ele: aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser. Todos esses fundamentos são trabalhados (ou deviam) na escola, mas a família é que fornece os primeiros valores desse novo ente na sociedade.
       A escola é uma ponte da família à sociedade, logo além de preservar os valores éticos e morais daquela pequena comunidade, ela também deve ensinar o respeito à diversidade e como agir na adversidade. Acontece que a família possuía um papel mais ativo na formação dos seus filhos o que não acontece atualmente. É importante ressaltar que a ausência da mãe talvez seja a causa mais preponderante, como também é importante que o pai hoje se responsabilize de uma forma diferente das gerações anteriores. O que interessa é que o sistema “obrigou” a família a delegar as funções de pai e mãe e/ou responsáveis à escola. E estes mesmos pais e mães exaustos, por conta do esforço diário em seus empregos, convenientemente cobram da escola aquilo que lhes parece justo, logo que a instituição se responsabilizou. Justo lhes parece, mas não é.
        A escola tem suas obrigações, todas escritas e regulamentadas sob a letra fria da lei, embora o bom senso deva reinar quando se trata da educação dos nossos filhos. Veja bem: nossos filhos. A instituição escolar, além de responsabilizar-se pela educação, deve também proteger seus alunos(as) de possíveis danos físicos, morais e psicológicos ou alertando os responsáveis (que até podem ser mãe ou pai) ou os órgãos públicos competentes.
Entretanto mesmo a escola não conseguirá proteger seus estudantes das fatalidades das nossas perigosas cidades em todos os momentos, a não ser através de uma presença ostensiva o que não é, absolutamente, competência dos educadores, a não ser que estes sejam onipresentes. Claro que há percalços que a instituição educacional pode alertar estudantes e famílias, como perigo do envolvimento com drogas, por exemplo, mas esse alerta tem suas limitações. E tais limitações são perceptíveis para o professor no momento em que ele(a) se encontra em uma encruzilhada que pode ser a seguinte: de um lado uma família ausente ou problemática; do outro a instituição que cobra uma atitude, embora ela mesma tenha suas dúvidas a respeito do que fazer; e enfim o Estado, que em um jogo de “empurra” só aparece quando há bônus, e quando há ônus como em um passe de mágica, é abduzido. Para onde ir?!
      O salvacionismo é uma ideologia que o Estado prega de forma disfarçada, também para eximir-se de suas responsabilidades. São até bonitas as atitudes isoladas de cidadãos veiculadas na mídia, bem intencionados, diga-se de passagem, que são voluntários em colégios e ONG’s de todo o Brasil. Todavia aí é que o Estado se coloca, nessa brecha em que de repente ele se torna o protagonista da boa ação, como também desaparece quando lhe é conveniente.
     Há trabalhos de naturezas diversas que demandam esforços diferentes, e mesmo a ajuda de responsáveis, mães e pais. Aqueles mesmos que não têm tempo quase nunca. Daí surge uma das divergências entre professoras/professores e família, isto é, o responsável chega a sugerir o fim dos trabalhos em grupo, se o docente não estiver literalmente ao lado de seu filho.
                            
 
                                                           
     

     Na antiguidade e na idade média a nobreza possuía como um de seus luxos um preceptor, isto é, um professor particular para o seu filho que além de cuidar do ensino das “letras e das matemáticas”, acompanhava-o  onde quer que o infante fosse. Dom Pedro II, como era um príncipe, teve um preceptor. Se a ideia do colégio é essa, tendo em vista o nome ser uma a homenagem àquele imperador, seria adequado que o quadro de professores fosse mais numeroso...
   Outro problema, que é recorrente, é a burocratização extrema em que vivemos. Alguns administradores dirão que isso é até benéfico, embora isso apenas reflita sim a desvalorização dos educadores, sobretudo na desconfiança da comunidade escolar...
     Enfim, as relações interpessoais estão corroídas. Mães, pais, responsáveis e educadores precisam relembrar daquelas concepções de família e de professor(a) dos nossos pais e avós, contudo adaptando-as aos novos conceitos e comportamentos, e certamente com uma maior participação paterna na educação dos(as) filhos(as). E há quem imagine que seja fácil criar um filho? Nunca foi fácil, e talvez sejam os tempos mais difíceis para tal empreendimento...
   Desculpem-me a palavra empreendimento, talvez seja o capitalismo, a globalização, a pós-modernidade, a modernidade líquida, o fim da história...

07/10/2008 Cassiano Barra

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Vou me arriscar em veredas estranhas...


Flashes

Mesmo incerto insistiu,  
Sabotou-se e só quis fugir.
Foi à fornalha da noite,
Foi ao fundo, afogar delírios
Em más delícias resolveu viver.

Sua língua ácida amarga
Um beijo na penumbra. Sob
Os lábios rubros penitentes
Luzes vermelhas refletem uma
Boca cálida, um ritual candente.

 
Saciado e aflito saiu assim
Mesmo, sujo do inferno.
O apagar tarda seu conflito
E vivo e mais vadio tem fome
E se consome no amanhecer.

Mas a cada dia, a noite recomeça
Mas a cada noite, a noite encurta
E a cada apagar, a noite escura
Sina ainda mais obscura à
Procura do que não se procura.

Xangô