Os dinossauros desavergonhados
Com a ajuda prestimosa da tecnologia, a mídia inunda a cabeça das pessoas com informações e opiniões diversas, muitas até que imaginavam por aí em processo de extinção no multicultural (porém cheio de gente metida à besta) país do futebol, conquanto um ou outro dinossauro pós-ditadura ainda vociferasse as suas bobagens. Ledo engano. Das mais variadas formas, explícitas ou não, eles voltaram e pior: procriaram.
Não que necessariamente a opinião pública ignorasse-os por completo, contudo o senso comum dava por certo que eles seriam criaturas das sombras, fadados ao esquecimento. Quem imaginaria um sujeito defendendo a “gloriosa revolução de 1964”. Pessoas como esse meliante estão sempre à espreita (e à direitíssima), com moralismos moralizantes que “moralizam” quem quer seja, até o júbilo dos cardeais da moral.
Certamente é pobre a expressão anterior, mas é factual, pois não há nada mais triste do que um mundo higienizado por cabeças de tal natureza. Outro exemplo interessante foi o do jornalista “Cream Kraker” culpar o ex-presidente, de origem humilde, pela adoção pelo MEC de um livro que ensina ao estudante que é certo utilizar expressões erradas para falar nossa língua, mesquinhez sem tamanho. Na verdade, o livro explicita que há além do Português Padrão Brasileiro, variáveis informais, porém que também fazem parte da língua como um todo. Arrotaram por aí até que se deve só falar como na gramática normativa. Em tempo: o livro explica que a norma padrão é a variável adequada a determinadas situações como entrevistas de emprego, palestras, na elaboração de documentos oficiais, enquanto que as outras variáveis da língua são para outras situações como conversas informais, por exemplo.
O politicamente correto com a roupagem fascista não tem limites. E pelo andar da carruagem os bobões à moda datena, que se indignam e oferecem "soluções" fáceis como pena de morte (como se informalmente isso não fosse comum no Brasil) ou a redução da maioridade penal ganham cada vez mais espaço nos jornais nacionais de cada dia.
Bem, os donos da verdade questionariam com o olhar altivo de sempre "e o que sugeriria você", buscando naturalmente erros na resposta óbvia que daria: educação. Contudo os donos da verdade querem soluções imediatas e fáceis para problemas de origem histórica. Impacientam-se pois desejam paz em seus condomínios fechados e carrões. Para os donos da verdade é imprescindível a paz... para eles!
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