segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Um remédio para a alegria

Finais de ano são entediantes para mim. E ultimamente tem sido pior, não subestimando a minha capacidade de tornar as coisas ao meu redor uma porcaria, mas a necessidade alucinante de parecer estupidamente feliz é um saco. Perdoem-me  a expressão aqueles de espírito mais dócil, que se dobram às superficialidades e lorotas sociais, mas há muita gente escrota a distribuir sorrisos a quem não dava a menor pelota durante o ano. É o espírito de natal.
Pra disfarçar o meu descontentamento encho a lata, encharco a caveira como diria o meu tio e me farto de razões para rir de mim, dos outros e da incapacidade de me prender a bobagens que se dizem com o costumeiro alarde consumista em cada natal e ano novo. Cada um tem uma fuga da realidade que lhe convém, logo se explica essa inveja enviesada, que ao cabo desse lenga-lenga não passa mesmo é de um estratagema cretino.



Ouvi outro dia um psicologismo meio barato, que enfim, acabo por usá-lo. Quase não há tristeza na ingenuidade. Assim Papai Noel parece mais legal enquanto esperamos por presentes. Contudo desta maneira o efeito placebo apenas retarda o desapontamento ou esconde um sintoma de mediocridade.
De qualquer maneira, usando as palavras eventuais de um espírito estupidamente alegre e benfazejo repito: tenha um “Feliz Natal e um próspero Ano Novo” de novo.     



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